Sustentabilidade no cartaz dos festivais de verão

13-07-2010
Neste mês de Julho há pelo menos 17 eventos ligados à música em Portugal. Optimus Alive, Paredes de Coura e SuperBok SuperRock estão na agenda dos festivais, enquanto que Caetano Veloso ou Mark Knopfler movem os fãs em concertos em Lisboa ou o Porto. Com tanta e tão variada oferta, as promotoras apostam para lá da música, anunciando eventos cada vez mais sustentáveis. Paulo Martins, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, sublinha que este despertar ambiental das promotoras é bastante recente, com menos de dois anos, e que as medidas adoptadas passam fundamentalmente pela redução do ruído e a reciclagem dos resíduos. «São matérias que têm certificação, é mais fácil de actuar nesses campos.
 
Devemos tentar dar mais incidência na prevenção, evitar que seja necessário, por exemplo, pagar a compensação de emissões, evitando-as ao máximo», adianta o responsável. A certificação 100R- Reciclagem 100% garantida, da Sociedade Ponto Verde (SPV), ou a Carbono Zero, da E.value, são alguns exemplos das certificações que entidades e empresas disponibilizam às promotoras que queiram investir nas boas práticas ambientais. Muitas vezes são aspróprias empresas que se associam aos eventos, estabelecendo práticas sustentáveis nos recintos.
 
É o caso da EDP, que irá compensar o CO2 da energia consumida na edição de 2010 dos festivais Delta Tejo, Optimus Alive, Super Bock Super Rock, SW tmn e Super Bock Surf Fest, através da e)mission. Apesar de considerar que Portugal está no bom caminho, Paulo Martins considera necessárias medidas globais, que incidam, por exemplo, sobre o catering e os materiais descartáveis, os hotéis sugeridos aos artistas ou a aposta nos transportes colectivos. «Não acontece porque não há tanta visibilidade nestas medidas, nem tantas garantias externas», justifica. Para além da visibilidade, os custos associados constituem outro dos entraves à adopção de mais práticas de sustentabilidade.
 
As promotoras falam em processo onerosos e bastante complicados, apesar de admitirem que o planeamento de uma boa estratégia é condição sine qua non para o sucesso deste tipo de iniciativas. Neste campo, o Boom Festival é referência: para além de ter recebido o galardão internacional "The Greener Festival Award 2008", foi convidado pela Organização das Nações Unidas para fazer parte da United Nations Environmental and Music Stakeholder Initiative, um grupo de trabalho que tem como objectivo promover as práticas ambientais associadas a eventos musicais.
 
«É o caminho que todos os festivais devem seguir», diz Artur Mendes, director de comunicação do Boom, lembrando que desde 2006 a organização tem feito um sólido caminho rumo à sustentabilidade ambiental. Exemplo disso é a utilização de casas de banho compostáveis, o tratamento das águas cinzentas através da oxigenação e da flora e a utilização de biodiesel para alimentar geradores, através do programa “O seu óleo é música”.
 
Este ano, a organização decidiu apostar em módulos de energia solar, na compra de bambu para a bioconstrução e na criação do Boom Lab, que desenvolve tecnologia sustentável para eventos. Quando questionado pelo AmbienteOnline relativamente aos custos associados a estas práticas suetentáveis, Artur Mendes é taxativo: «É extremamente oneroso e muito complicado levar a cabo todas estas práticas ambientais. De qualquer modo, este é o nosso caminho, e o imperativo ético e ambiental é o caminho que todos os festivais devem seguir», remata.
In Ambiente Online

 

 

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