Selvagens podem esconder tartarugas raras

22-06-2010

Os primeiros 200 metros da coluna de água em mar aberto são fundamentais para Thomas Delinger estudar o alimento das tartarugas marinhas. O investigador da Universidade da Madeira trabalha com as tartarugas desde 1994, e esta não é a primeira missão em que participa, à semelhança de quase todos os investigadores a bordo do Creoula, NRP Gago Coutinho e Caravela Vera Cruz.

Para além de estar a ajudar nos trabalhos de mergulho, Thomas Delinger espera que o ROV possa trazer imagens do alimento de tartaruga que existe nesta zona das Selvagens. «Era bom conseguirmos fazê-lo ao longo do dia, vendo as variações diárias. Logicamente que a missão principal do ROV é investigar o fundo do mar, portanto a ideia é quando o aparelho sobe, fazê-lo um bocadinho mais devagar».

Para além de querer estudar o plâncton, que serve de alimento, o investigador espera avistar alguns dos exemplares das cinco espécies que se supõe existirem por aqui. A chamada tartaruga comum ou tartaruga boba é, como o nome indica, a mais abundante. Para além desta, cujo nome científico é caretta caretta, também há a possibilidade, ainda que remota, de ver a tartaruga de couro, que pode atingir os 900 quilos, a tartaruga de escamas, a tartaruga verde e uma que apenas nidifica no Golfo do México, sendo a espécie mais ameaçada.

«Não há tartaruga marinha que não seja protegida. As populações de tartarugas marinhas diminuíram nos últimos 80 a 100 anos, uma vez que a população de tartaruga verde diminuiu devido caça para fazer a sopa de tartaruga. Todas elas estão num nível muito abaixo do que seria expectável, desejável e natural», lamenta o investigador.

Historicamente, foi a ocupação das praias pelo ser humano que levou a uma redução de habitat apropriado para nidificar. Também a caça directa teve os seus efeitos, assim como a recolha de ovos nas praias.

Hoje, umas das principais ameaças é a pesca acidental, através de qualquer actividade de pesca industrializada, que captura acidentalmente tartarugas e leva a que muitas delas não sobrevivam.

Para além deste problema, que é o principal, há a poluição, essencialmente os lixos persistentes como os plásticos, que flutuam. As tartarugas vicem numa espécie de um deserto, no meio do oceano, zonas onde há pouca produtividade de macro-plâncton. A fase juvenil das espécies leva-as a investigar e tentar comer esse tipo de resíduos», remata Thomas Delinger.

In Ambiente Online

 

 

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