Portugal é o único país da UE que associa avaliação da qualidade do ar à certificação energética

01-06-2010

Portugal é o único país da União Europeia que já associa a avaliação da qualidade do ar interior à certificação energética no âmbito do designado Sistema de Certificação dos Edifícios (SCE), afirmou hoje à Lusa um especialista.

Oliveira Fernandes, que dirige o Laboratório de Qualidade do Ar Interior (LQAI), da Faculdade de Engenharia do Porto, e a Agência de Energia do Porto, salientou que, apesar da legislação, o país apresenta, no contexto europeu, 'uma das situações mais graves' no que se refere à qualidade do ar interior e aos seus reflexos na saúde da população.

'A má qualidade no ambiente interior tem muito a ver com a formação de fungos e de bolores no interior das casas e com a deficiente ventilação ou isolamento dos edifícios', explicou o ex-secretário de Estado do Ambiente e ex-secretário de Estado Adjunto do Ministério da Economia, (com a pasta da Energia).

'Estes bolores e fungos que se geram no interior das casas, sobretudo nas habitações mais pobres e antigas, é já identificado como sendo, provavelmente, a maior fonte específica de problemas para a saúde a seguir ao tabaco, em particular das famílias e pessoas mais desfavorecidas', sustentou.

Oliveira Fernandes considerou que 'a desvalorização desta questão pode ser grave, porque além das doenças do foro respiratório, a falta de qualidade do ar interior também pode provocar problemas ao nível da pele e dos olhos, porque se trata de substâncias químicas'.

'As pessoas estão imersas num ambiente em que estas substancias se encontram em concentrações mais elevadas do que aquilo a que o nosso organismo está preparado para resistir', afirmou.

Oliveira Fernandes recordou o caso ocorrido nos finais dos anos 90, no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, que foi encerrado porque apareceram funcionários com sintomas de mal-estar e de saúde que atribuíram ao ambiente interior.

'Em 450 trabalhadores, 180 evidenciaram problemas de saúde associados à qualidade do ar interior, verificados por uma junta médica', recordou.

'Aquele foi certamente um caso extremo, até porque o laboratório tem muitos espaços onde se manipulam substâncias químicas e outras, mas isto dá-nos a indicação de que há problemas latentes no que diz respeito à qualidade do ar interior em Portugal', frisou.

Referiu ainda as conclusões de um estudo sobre a qualidade do ar nas escolas, que apontou para 'níveis de CO2 (dióxido de carbono) demasiado elevados e a indiciar a existência de problemas maiores'.

Defendeu a resolução destes problemas 'na fonte' em vez de 'se tentar contrariá-los, nomeadamente, através de maior ventilação, porque isso significa maior consumo de energia'.

'Veja-se o impacto que teve a legislação do tabaco, a força e a clareza com que ela apareceu. Temos agora de ir à procura de outras intervenções em relação a outras fontes dominantes, como seja a questão dos fungos, bolores e humidades', acrescentou.

In Lusa



 

 

Outras notícias

Avião
Casa
Carro
Mota
Outros Transportes
Empresa
É expressamente proibida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo deste Site