Independência energética portuguesa é 17% do consumo

24-11-2009


Apenas 17% da energia   que consumimos é de fonte interna. As energias limpas têm um papel crucial para o aumento dessa independência energética.

Em Portugal, o consumo de energia primária tem uma dependência da energia fóssil correspondente a 80% do consumo, com as renováveis a assumirem 17% do consumo, o petróleo nos 54%, o gás natural nos 15% e o carvão nos 11%.

Há outras fontes que representam 3%, a participação da energia eólica na geração de electricidade é de 11%, com dados de 2008. A dependência externa portuguesa de energia continua muito elevada: 83%.

O grupo EDP tem vindo a aumentar exponencialmente a capacidade instalada que, ao nível das eólicas, atinge os 570 MW, dados de Setembro, estando mais 133 MW em construção e existindo mais 595 MW em pipeline.

A EDPR é um exemplo nacional de capacidade de oportunidade pela expansão internacional: é a quarta eólica mundial, está presente em oito geografias e prepara a entrada na nova que deverá ser o Canadá e prepara-se para, em 2012, controlar o maior parque eólico nos EUA. Mas as energias limpas estão longe de satisfazer as necessidades anuais.

Estima-se que apenas 0,3% da energia limpa tenha origem em eólicas, hídricas ou biomassa, as energias limpas, enquanto a nuclear satisfará 7% das necessidades, enquanto as energias fósseis, que incluem petróleo e gás, suportam o grosso das necessidades.

As "majors" mundiais, ou seja, as grandes companhias internacionais de "oil and gas" estão conscientes da poluição mas, também sabem que as energias fósseis são cada vez mais limpas e a recente tecnologia das algas marinhas capazes de criar micróbios, os quais irão alimentar-se de CO2 é uma resposta às alterações climáticas.

A Europa está mais atenta aos compromissos de Quioto e, por isso, o forte envolvimento de empresas europeias em soluções energéticas ambientalmente sustentáveis.

Em Portugal as energias limpas respondem por 20% das necessidades energéticas, sendo que os restantes são fósseis, mas o custo de responder com eólicas, hídricas e biomassa envolveu, considerando apenas a produção eólicas, 4 mil milhões de euros de investimentos nos últimos anos e vão ser necessários mais três mil milhões de euros.

Entretanto, o programa de barragens nacionais continua em expansão, com a EDP a manter em carteira três mil milhões de euros de investimento em energia hídrica.

Neste esforço está a construção de cinco novas barragens hidroeléctricas: Baixo Sabor, Foz Tua, Fridão, Alvito e Ribeiradio, mas também os reforços de potência em unidades do actual parque hídrico da EDP, caso de Bemposta, Picote, Alqueva, Venda Nova, Salamonde e Paradela.

Este plano, a ser concluído até 2016, aumentará a capacidade instalada do parque hidroeléctrico do grupo em 61%, passando para 2.900 MW.

A EDP estima que a energia limpa, produzida anualmente por esta nova capacidade equivalerá ao consumo médio anual de mais de dois milhões de consumidores residenciais.

De acordo com o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, PNBEPH, Portugal tem mais de 50% do seu potencial hídrico por aproveitar, sendo um dos mais baixos índices da Europa.

A complementaridade hídrica-eólica é outro trunfo das novas centrais hidroeléctricas equipadas com bombagem, as quais permitem usar eficientemente o excesso de produção eólica, armazenando energia nas horas de vazio para posterior turbinamento nas horas de ponta. O sistema permite que nos períodos de menor consumo do dia, e que geralmente corresponde a grande produção eólica, esta energia possa ser aproveitada para fazer bombear a água das albufeiras. Com este modelo é possível a reutilização para produzir nova energia hidroeléctrica em períodos mais rentáveis, facilitando a viabilização técnica dos altos níveis de potência eólica previstas para o país nos próximos anos.

Opção externa
Os EUA representam quase dois terços do pipeline em energias eólicas exploradas pela EDP Renováveis. Dos 28.304 MW em pipeline e perspectivas, 17.785 MW estão nos EUA, mercado onde a EDP já tem 2358 MW instalados e mais 501 MW a serem construídos.

Na semana passada a EDPR anunciou o arranque da primeira fase do parque eólico no estado do Indiana, e que dentro de alguns anos poderá ser o maior parque nos EUA, com cerca de 1000 MW de capacidade instalada, com objectivos para a conclusão deste projecto até 2014. Os primeiros 200 MW de Meadow Lake já foram inaugurados. Em construção estão mais 99 MW.

António Mexia, presidente do grupo EDP, disse, também na semana passada em declarações aos jornalistas nos EUA, que o objectivo é atingir a expansão de 1000 MW até 2012. Estas declarações também têm em consideração as vantagens do plano Obama para as energias renováveis.

A EDP pretende realizar investimentos ao nível de energias renováveis nesta geografia que poderão atingir os 4 mil milhões de dólares. O projecto desenvolver-se-á entre 2009 e 2012 e, para esta data, não é estranho o facto de o plano Obama contemplar os investidores com os chamados "cash grants", subsídios estatais que só no projecto no Indiana poderão representar 500 milhões a 600 milhões de dólares, ou seja, 30% do investimento.

A EDPR, liderada por Ana Maria Fernandes, está instalada em nove geografias e prepara-se para avançar para o Canadá, disse a gestora citada pelos media. Para além dos EUA, via a Horizon, a EDPR tem forte presença em Espanha com 2109 MW instalados, mais 477 MW em construção e 4999 MW em pipeline. Na Roménia, a EDPR prepara-se para avançar com os primeiros MW, detendo 853 MW em pipeline .

In Oje

 

 

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