Moscovo quer florestas no novo acordo climático de Copenhaga

03-11-2009

A Rússia fixou já duas condições para subscrever um eventual novo acordo climático, na cimeira da ONU prevista para Copenhaga, dentro de um mês. "É preciso que todos os países o assinem e a Rússia insistirá para que o potencial de absorção de CO2 das nossas florestas seja tido em consideração", disse ontem o primeiro-ministro, Vladimir Putin.

A questão das florestas russas é antiga e controversa. Em 2001, o país já tinha obtido uma larga quota de redução de emissões de CO2 - 33 milhões de toneladas por ano - como moeda de troca para aprovar as normas de funcionamento do Protocolo de Quioto. Agora, Putin volta a exigir o mesmo, à margem da visita do seu homólogo dinamarquês, Lars Rasmussen, a Moscovo.

Rasmussen esteve na Rússia no âmbito de uma ronda de contactos ao mais alto nível, para tentar facilitar um acordo em Copenhaga. A um nível mais intermédio, começou ontem, em Barcelona, uma nova ronda negocial, que se estende até sexta-feira.

"Estes cinco dias são essenciais para garantir um sucesso em Copenhaga", disse Yvo de Boer, secretário executivo da ONU para o tema das alterações climáticas. Yvo de Boer afirmou ainda que os Estados Unidos devem apresentar propostas claras de redução de emissões. "Esta é uma componente central do puzzle."

Ninguém acredita, porém, que a ronda de Barcelona resolva as divisões profundas que se mantêm quanto ao formato e ao conteúdo de um novo tratado climático. Ainda se está longe de um acordo sobre novas metas de redução ou controlo de emissões e sobre como será financiada a adaptação do mundo em desenvolvimento a um futuro mais quente.

Entre Barcelona e Copenhaga haverá ainda uma reunião de nível ministerial para tentar aproximar posições.

In Público

 

 

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