Peneda-Gerês alarga área de protecção

22-10-2009
Plano de ordenamento quer estimular as visitas ao parque nacional, dando a conhecer habitats naturaisA zona de protecção total do Parque Nacional Peneda-Gerês subirá, com o novo plano de ordenamento daquele território, de 2793 para 4297 hectares. Mas isso não significa a restrição nas visitas. Pelo contrário.

O Parque Nacional Peneda-Gerês quer ordenar e promover um regime de visitação sustentável do território, contribuindo dessa forma para aumentar a educação ambiental e o conhecimento dos valores naturais e culturais. Para tal, o documento que ontem entrou em fase de discussão pública, apresenta alterações significativas, relativamente ao plano de 1995.

A visitação das áreas de protecção total será uma realidade, porque, segundo o director do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Norte, Lagido Domingos, anunciou que "todo o parque estará aberto aos visitantes, deixando de haver zonas interditas. Temos de mostrar este património, promovendo a visitação, esclarecendo e mostrando os valores naturais que estão aqui em presença".

Na proposta em discussão, destaca-se a elaboração e implementação de seis programas operacionais de gestão, tendo em vista a visitação do parque. Alvo de atenção serão as portas de Lamas de Mouro, Mezio, Lindoso, Campo do Gerês e Paradela e o Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro. Neste âmbito insere-se, ainda, a criação de um centro de animação de montanha, a beneficiação dos trilhos, a edição de uma carta de desporto de natureza e a valorização de infra-estruturas, como casas de abrigo, parques de campismo e centros de acolhimento à visitação.

Sendo um documento em aberto que espera os contributos de entidades e particulares com interesses na zona que abrange os concelhos de Terras de Bouro, Montalegre, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Melgaço, o novo plano vem pacificar os ânimos das populações que viam perigar as hipóteses de continuar com o pastoreio. "O pastoreio em moldes tradicionais, das vezeiras, será permitido, indo até à zona de protecção total, inclusive". Esta opção decorreu de negociações com autarquias locais e conselhos directivos de baldios que ficam responsáveis por definir as regras desta actividade. "Os animais estão todos identificados, à excepção dos garranos. Por isso, será fácil controlar o pastoreio", sustentou Lagido Domingos que lembrou, ainda o milhão e meio de euros disponíveis para aplicar nos baldios, ao abrigo das intervenções territoriais integradas.

A abertura do parque tem em atenção a vivência de todos os que habitam aquela área e a divulgação de espaços únicos, mas segundo regras que, por exemplo, fixam a interdição explícita da construção de hidroeléctricas, mini-hídricas ou eólicas, cabendo apenas a microgeração, no campo das energias limpas. Pretende-se, assim, condicionar práticas identificadas como de maior potencial de conflito. As populações poderão explorar inertes para auto-consumo (segundo regras definidas) e circular a pé ou em meios motorizados.

Essencialmente, pretende-se que o novo plano produza um impacte positivo na preservação do território natural, da paisagem e da biodiversidade, potenciando o desenvolvimento das actividades tradicionais e outras que surjam, enquadradas na valorização dos recursos naturais, qualidade da paisagem e nas especificidades culturais do território.

In Jornal de Notícias

 

 

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